A Netflix Cooperativa e Socialista

Conheça a Means of Production, em entrevista ao DigiLabour

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Fonte: twitter.com/means_tv

Uma cooperativa de profissionais de comunicação que lançará conteúdo anticapitalista em plataforma de streaming. Jovens que fizeram a campanha bem sucedida de Alexandria Ocasio-Cortez ao Congresso dos Estados Unidos. Gente que quer reavivar os sentidos de socialismo e marxismo, aproximando-os da classe que vive do trabalho. Conheça a Means of Production, em entrevista com Nick Hayes e Naomi Burton.

 

DigiLabour: Como tem sido a construção da Means of Production como uma cooperativa?

Nick Hayes: Eu e Naomi não queremos tocar um pequeno negócio como donos únicos. Ser uma cooperativa, para nós, é essencial para todo o projeto do Means Media. Nós pensamos que, se o entretenimento fosse feito por meio de uma estrutura democrática, de baixo para cima, oferecida apenas por uma cooperativa de trabalhadores, ele seria muito mais representativo da vida real das pessoas, e seria melhor e mais legal, além de tudo. Então, desde o início da Means of Production e da Means TV, ser uma cooperativa tem sido a única via que estamos dispostos a considerar em termos de estrutura de propriedade. Nós somos membros da Federação de Cooperativas de Trabalhadores dos Estados Unidos e desejamos construir uma economia cooperativista forte ao nosso redor para reunir capital e promulgar mudanças políticas benéficas para a classe trabalhadora em nosso país e internacionalmente. Nos Estados Unidos, as empresas podem gastar o dinheiro que quiserem promovendo candidaturas políticas altamente impopulares que decretem legislação tributária e comercial que beneficie seus financiadores. Essa questão do dinheiro na política está incluída na estrutura das instituições políticas americanas e não vai desaparecer tão cedo. Como um setor da economia cooperativista, poderíamos agrupar capital e recursos de maneira semelhante e trabalhar para apoiar e promulgar reformas políticas que beneficiem trabalhadores e trabalhadoras, seja de cooperativas ou não. Mas aí o buraco é mais embaixo, é claro. A economia cooperativista está apenas começando nos Estados Unidos, mas estamos empolgados em fazer parte dela estando na Means Media e esperamos ajudar a construir o poder real do trabalhador e o seu domínio sobre a economia.

 

DigiLabour: Como é o sistema de pagamento para os trabalhadores?

Naomi Burton: Eu e Nick somos, por enquanto, os únicos trabalhadores em tempo integral. Nosso objetivo, até o fim da captação de recursos, é ser capaz de trazer mais algumas pessoas em tempo integral, bem como ter orçamentos mais robustos para esses projetos de entretenimento que, até o momento, foram autofinanciados. Todos os trabalhadores em tempo integral da Means TV ou Means of Production receberão uma fração da propriedade da iniciativa, onde teriam o mesmo poder de decisão e receberiam uma parte dos lucros da cooperativa. Quase todos os talentos, que aparecem na tela ou nos bastidores, cujo trabalho é apresentado na plataforma, receberão saldo residual, que é um compartilhamento dos lucros da Means TV por um período de tempo, tentando imitar o que é padrão em sindicatos de talentos e grandes plataformas de streaming.

 

DigiLabour: Quais são suas referências na mídia de esquerda?

Naomi: Nós nos inspiramos muito na propaganda internacional de esquerda e em alguns filmes que surgiram na antiga União Soviética. Mas a maior parte da nossa inspiração vem da vida cotidiana que trabalhadores e trabalhadoras enfrentam sob o capitalismo, e como podemos comunicar para construir empatia, senso de compreensão e solidariedade comuns.

DigiLabour: Como estão os preparativos para o lançamento da Means TV?

Nick: Está indo tudo muito bem! Estamos nos estágios finais de preparação dos conteúdos para o lançamento e é emocionante ver o que deu para reunir em mais de um ano de trabalho. A Means TV é uma plataforma de streaming cooperativa dedicada ao entretenimento. Teremos coisas como como desenhos animados, comédias originais, dramas ficcionais, documentários, talk shows, entre outros. Estamos trabalhando para criar uma estrutura midiática duradoura, não sectária e de esquerda, com o objetivo comum de pôr fim à violência do capitalismo e do imperialismo nos Estados Unidos e em todo o mundo. Para arrecadar fundos para nosso primeiro ano de programação, lançaremos uma campanha de arrecadação. Lançaremos dez semanas de conteúdo em uma campanha chamada “Pão e Rosas” (Bread and Roses). A cada semana, teremos vozes proeminentes da esquerda ou da classe trabalhadora, que nunca são ouvidas pela mídia tradicional, explicando a Means TV. Também lançaremos conteúdos divertidos todas as semanas sobre o mesmo tema do porta voz daquele período. Animações, paródias, esquetes, stand-ups.

 

DigiLabour: Em uma entrevista recente à revista Jacobin, vocês disseram: “não possuímos narrativa alguma sobre o socialismo nos Estados Unidos. As pessoas mal sabem o que quer dizer ‘austeridade’. Eu mal sabia o que queria dizer até 2016, embora estivesse sendo afetado por ela”. Quais são, então, os desafios de comunicação da esquerda com a classe trabalhadora?

Naomi: Acho que temos dois desafios reais nos Estados Unidos no sentido de construir uma maior consciência de classe e do poder de trabalhadores e trabalhadores. O primeiro é tornar normais palavras como socialismo, comunismo e socialismo. Todas elas são e serão usadas contra a esquerda, e isso precisa ser desarmado. Uma parte disso é a reconstrução de algum grau de sentimento pró-sindical nos Estados Unidos e a vinculação disso a uma crítica marxista do capitalismo. A segunda é que precisamos mostrar que os socialismo é algo legal pra caramba. Isso é basicamente toda a nossa missão na Means Media. Queremos tornar o socialismo e a consciência de classe tão legais que seja irresistível fazer parte de um movimento cultural tão forte, transformando a política permanentemente. Temos que quebrar ideias de militarismo e individualismo que são mostradas sempre pelo cinema e pela televisão imperialista dos Estados Unidos. Isso levará tempo, e nós faremos isso mostrando programas de entretenimento que são, sim, anticapitalistas, mas o mais importante é que sejam engraçados, divertidos, entretendo-nos e contando histórias legais que você não verá em nenhum outro lugar.

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