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Dossiê sobre trabalho em plataformas digitais na revista Contracampo

O primeiro volume tem contrbuições de Ludmila Abilio, Ricardo Antunes, Roseli Figaro, entre outros

A revista Contracampo, do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFF, acaba de lançar um dossiê especial sobre trabalho em plataformas digitais, editado por Rafael Grohmann (UNISINOS) e Jack Qiu (Chinese University of Hong Kong), que terá dois volumes.

Grohmann e Qiu abrem a edição contextualizando o que significa o trabalho em plataformas, especialmente em um contexto de Sul Global.  Em seguida, Ludmila Costhek Abílio aborda a uberização como uma apropriação produtiva e monopolizadados modos de viver das periferias a partir de investigação com revendedoras de cosméticos e motofretistas, ressaltando o papel do gerenciamento algorítmico.

Em linha semelhante, Vitor Filgueiras e Ricardo Antunes argumentam que o trabalho em plataformas é uma forma de regulação do capitalismo em prol das empresas e que a precarização deve ser compreendida como um processo, não algo estático.

Os brasileiros que trabalham na Amazon Mechanical Turk são o tema do artigo de Bruno Moreschi, Gabriel Pereira e Fábio Cozman mostrando a mistura entre o “fantoche da automação” e a intensificação da viração por meio de plataformas digitais.  Enfatizam ainda a centralidade das mídias digitais na comunicação e auto-organização dos trabalhadores, mobilizando lutas por mudanças na plataforma.

Já o cooperativismo de plataforma e os sindicatos em contexto de plataformas são centrais no texto de Aina Fernàndez e Maria Soliña Barreiro sobre os casos Riders x Derechos e Mensakas na cidade de Barcelona, evidenciando as estratégias midiáticas de organização dos trabalhadores para autogestão em contexto de plataformas. As autoras ainda demostram as possibilidades de reapropriações tecnológicas para espalhar discursos alternativos à ideologia do Vale do Silício.

A primeira parte do dossiê encerra com duas contribuições sobre a centralidade dos processos comunicacionais no trabalho em plataformas digitais. Claudia Nociolini Rebechi e Geraldo Augusto Pinto debatem sobre o papel da comunicação como prescrição nos processos de organização do trabalho desde a lean manufacturing até a smart factory a partir do contexto de indústria 4.0. A lógica do trabalho digital, segundo os autores, misturam desenvolvimento de tecnologias, organização e exploração do trabalho com um campo simbólico e ideológico cujas narrativas estruturam o capitalismo de plataforma.

Roseli Fígaro e Ana Flávia Marques analisam como a comunicação é uma forma de trabalho no capitalismo de plataforma a partir de arranjos jornalísticos alternativos, como Jornalistas Livres, Opera Mundi e Agência Pressenza, enfatizando os espaços digitais de trabalho.

O segundo volume chega em breve com contribuições valiosíssimas de Sérgio Amadeu, Rodrigo Carelli e Bianca Carelli, Thiago Falcão, Daniel Marques e Ivan Mussa, Renan Kalil, Nathalia Drey Costa e Marcelo Santos.

3 comentários

  1. A sociologia do trabalho precisa deixar de confundir “trabalho” com “emprego”. Na maior parte das vezes, se refere a emprego como trabalho. As duas palavras são tratadas praticamente como sinônimos. Ora, emprego não é sinônimo de trabalho, é apenas mais uma das formas de exploração do trabalho, como o foram a servidão e a escravatura. Estas duas formas de exploração do trabalho surgiram na história e sumiram. O emprego também surgiu e se consolidou em determinado momento histório e vai acabar num momento histórico. Que pode ser agora.
    PELA ABOLIÇÃO DO EMPREGO! Pela proibição da contratação de trabalho de pessoa física. Pela exclusividade de venda de trabalho por empresas, e apenas o trabalho de seus sócios. Pela cooperativização de todos os trabalhadores, incluindo os desempregados. Desempregado é estoque de trabalho. Se o mercado não absorve o trabalhador, ele fica estocado até que seja necessário. Qual empresa não contabiliza seus estoques? Então, por que os desempregados não são remunerados? Porque não se organizam como empresa. Transformados os sindicatos em cooperativas de trabalho, ou seja, acabando-se com o emprego, acaba-se automaticamente com o desemprego. Acaba-se com o exército de mão de obra de reserva e se retoma o protagonismo do trabalhador no comando de seu mercado.

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