Referências

Trabalho Digital e Covid-19: pesquisas, artigos e notícias

Um dos destaques é pesquisa sobre trabalho remoto e isolamento social

PESQUISAS SOBRE COVID-19

 

  • Como os trabalhadores estão se sentindo em relação à adoção do trabalho remoto na crise de coronavírus? Pesquisa com trabalhadores do estado de São Paulo mostra que as pessoas estão trabalhando mais e nem sempre conseguem estabelecer momentos para descanso. As áreas que afirmam estar sofrendo mais no momento são as de educação e comunicação. Os mais jovens também se dizem mais afetados pela mudança. A pesquisa é coordenada pela 4CO, de Thatiana Capellano e Bruno Carramenha, e conta com prefácio de Rafael Grohmann;
  • O projeto Fairwork, coordenado pela Universidade de Oxford, analisou as políticas de 120 plataformas em 23 países com relação ao contexto de coronavírus. Em geral, as respostas das plataformas são genéricas, com poucos exemplos de políticas esclarecidas. Os pesquisadores consideram que há lacunas entre a retórica e a realidade, já que as empresas tem sido melhores em comunicar as respostas do que realmente entregá-las aos trabalhadores. E, mesmo assim, essas respostas têm se direcionado mais a acionistas, investidores e consumidores do que aos trabalhadores. Há, ainda, lacunas entre o que os trabalhadores precisam para que fiquem seguros – em relação à renda e à infecção – e o que as plataformas estão oferecendo. O relatório sugere políticas a partir das dimensões da OIT para trabalho decente. O projeto Fairwork está chegando ao Brasil e iniciará pelas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre;
  • Rede de Pesquisa Solidária, coordenada pelo departamento de Ciência Política da USP, tem publicado boletins com resultados de pesquisas sobre como a crise de coronavírus tem impactado a sociedade brasileira, com destaque para o mercado de trabalho. A investigação mostra como a crise tem intensificado desigualdades de raça e gênero e, ao mesmo tempo, produzido “novos vulneráveis”;
  • Como a crise de coronavírus tem impactado os trabalhadores de plataformas na África? Relatório da i2 Facility;
  • The Century Foundation também publicou uma série de recomendações de políticas em relação a trabalhadores autônomos no contexto de pandemia.

 

ARTIGOS E LIVROS 

 

  • O que as plataformas fazem? Steven Vallas e Juliet Schorr publicam texto no Annual Review of Sociology em que identificam quatro dimensões na literatura sobre trabalho em plataformas com metáforas associadas a cada uma delas. As plataformas podem ser vistas como: 1) incubadoras empreendedoras; 2) gaiolas digitais; 3) aceleradoras de precariedade; 4) camaleões que se adaptam a seus ambientes. A essas definições, os autores acrescentam que as plataformas são entes poderosos e permisssivos que terceirizam responsabilidades e controle sobre transações enquanto exercem concentração de poder. Isso significa um tipo distinto de governança;
  • Antonio Casilli publicou dois textos nesta semana, um em inglês e outro em espanhol. Na revista Big Data & Society, fala de três maneiras pelos quais os trabalhadores de plataformas digitais dão suporte à inteligência artificial, capacitando assistentes virtuais, veículos autônomos e objetos conectados. O artigo distingue três variedades de funções: 1) preparação da intelgência artificial; 2) verificação da inteligência artificial; 3) representação ou personificação da inteligência artificial. Os autores argumentam que o microtrabalho não é mero detalhe, mas é parte estrutural da produção da IA. Isso significa que os dados não substituirão, no futuro, o trabalho humano, mas implicarão em sua marginalização e intensificação da precariedade;
  • No texto em espanhol, publicado pela revista Arxius, Casilli e colaboradores abordam as plataformas de microtrabalho na França. Ressaltam que o perfil dos trabalhadores é muito diverso, mas a maior parte, como mulheres trabalhadores com filhos e curso superior completo, necessitam das plataformas para seu sustento mensal. Ressaltam os riscos psicossociais nas atividades de microtrabalho e como o tema precisa de maior atenção de políticos, sindicatos e público geral;
  • Na Information, Communication & SocietyAnne Henriksen e Anja Bachmann analisam como se dá a produção de verdades em uma empresa escandinava de IA na ára da saúde, havendo um processo de reinvenção da própria noção de verdade e das práticas de saúde existentes. A categoria de “verdade” na IA é um dispositivo essencial para tornar os algoritmos preditivos um negócio viável;
  • No European Journal of CommunicationKarin van Es e Michel de Lange defendem o “data walking” como método de pesquisa para operacionalizar empiria sobre dataficação na área de comunicação. Citam o projeto Data Walking, que aproveitam o potencial de uma caminhada para coletar dados sobre o ambiente, e por meio de caminhadas e visualizações, criar imagens que sejam mais interessantes;
  • A editora da Universidade de Westminster acaba de publicar o livro The Internet Myth, de Paolo Bory, que analisa os imaginários da rede desde a década de 1990;
  • O coletivo socialista Notes from Below publicou um livro sobre as lutas de trabalhadores em meio à pandemia a partir do esforço coletivo de distintos grupos de trabalhadores, entre eles o brasileiro Invisíveis Goiânia. A obra considera a pandemia como um laboratório para o capital e defende medidas como suspensão de alugueis e interrupção de todas as atividades consideradas não essenciais.

 

ENTREVISTAS E NOTÍCIAS

 

  • Outra dica de podcastBalbúrdia Organizada, de alunos da UNISINOS e coordenado pela professora Maria Clara Aquino Bittencourt, entrevistou Daniel Abs, professor da UFRGS sobre saúde mental e trabalho;
  • Mais um: Jathan Sadowski foi entrevistado pelo New Books Network sobre sua nova obra Too Smart: How Digital Capitalism is Extracting Data, Controlling Our Lives, and Taking Over the World;
  • Na Jacobin BrasilLeda Paulani comenta a nova obra de Yanis Varoufakis, Adultos na sala: minha batalha contra o establishment, sobre a irresponsabilidade dos mercados financeiros;
  • Também na Jacobin Brasil, texto sobre como o trabalho precário não é uma novidade no capitalismo, mas algo histórico;
  • Como fica a música independente em contexto de coronavírus e quais as alternativas cooperativas? Matéria da Vice;
  • Como funciona uma plataforma cooperativa de músicos? Conheça a Resonate;
  • Ricardo Antunes, Dari Krein e Clemente Lúcio dão entrevista ao IHU-Unisinos sobre desigualdades e o papel do Estado em meio à pandemia;
  • Na revista Logic, Veena Dubal conta a história da gig economy;
  • Srujana Katta comenta as medidas das empresas de plataformas em relação ao coronavírus. Entrevista ao Bot Populi;
  • Milhares de trabalhadores em risco em call-centers em meio à pandemia. Matéria do Open Democracy;
  • Entrevista do Shareable com Nick Hayes, da Means TV, cooperativa de streaming audiovisual  que se considera a “Netflix para os 99%”. A Means anunciou nesta semana a criação de uma divisão de games, que será inaugurada em breve;
  • Game Workers Unite e Notes From Below anunciaram chamada para o Workers Game Jam 2020. O prazo para criação de games é 24 de julho e o tema é ação coletiva;
  • O canal GNT, em parceria com Inesplorato, lançou o documentário Como fazemos escolhas e tomamos decisões no dia a dia? . O trabalho em plataformas é um dos temas abordados e conta com participações de Túlio Custódio e Rafael Grohmann, com narração de Monica Martelli.

 

MUNDO DO TRABALHO PÓS COVID-19?

 

  • A greve de trabalhadores de Amazon e Instacart pode ser considerada um sucesso, mas não alterou os lucros das empresas. Matéria da Vox;
  • Empresas estão lançando produtos para os locais de trabalho pós Covid-19. Entre eles, um anel que rastreará a localização e a temperatura dos trabalhadores. Texto da Protocol;
  • A Amazon afirma que implantará verificadores de temperaturas e disponibilizará máscaras aos trabalhadores. Matéria da Reuters;
  • Aprendizado de máquina rastreará se você está cumprindo com distanciamento social no trabalho. Notícia da Technology Review.

 

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